E você minha querida leitora, se considera uma mãe
centralizadora?!
Eu sou, sempre fui, e nunca tinha percebido (até pouco
tempo) o quanto isso é ruim para eu mesma, para meu filho e para o pai dele.
Para começar a falarmos sobre isso preciso contar para
vocês que apesar de manter um relacionamento com o pai do Lucas não moramos
juntos, temos planos de casamento mas precisamos ajustar nossa vida financeira
antes disso. Por esse motivo, aliado a minha personalidade de ter iniciativa e
não esperar que façam nada por mim que eu mesma possa fazer, desde que meu filho
nasceu, eu tomei todas as rédeas da situação, tomei a frente, assumi minha maternidade
como uma profissão, tomando a iniciativa, as decisões, fazendo as escolhas e
determinando tudo conforme a minha vontade. Eu errei. Errei em não levar em
consideração (e às vezes nem aceitar) a opinião do meu parceiro, errei em julgar
em vários momentos que ele não seria capaz de administrar determinada situação,
que ele não conseguiria cuidar sozinho do nosso filho.
Nem tudo na vida são flores não é mesmo?! Preciso
compartilhar com vocês coisas que estou passando, aprendendo, evoluindo para
juntas conseguirmos ir adiante, ir além. E esse aspecto da minha maternidade
está em constante evolução, aprender a confiar (na capacidade do outro), a
delegar, a permitir a participação do pai para mim é um exercício diário.
No início, quando o Lucas nasceu, meu parceiro tentava
ser mais atuante, nas decisões, nas escolhas, nos cuidados em si não por que
ele tinha receio, não tinha jeito com bebê (segundo ele mesmo)! Mas eu sempre
batia o pé e na maioria das vezes, as coisas eram feitas de acordo com a minha
vontade. Os meses foram passando, o Lucas foi crescendo, e meu parceiro se
acostumando a ficar nessa posição de coadjuvante, e olha que ele tem um
temperamento forte também! Mas por eu sempre dar mil justificativas, e mostrar
que meu desejo era o melhor para o Lucas ele se acostumou a ceder, a aceitar,
mas nem sempre tudo que eu julgava que era o melhor era mesmo, sou um ser
humano e erro também!
Ele sempre me acompanha nas consultas do Lucas ao médico,
pouquíssimas vezes ele não estava ao meu lado desde que o Lucas nasceu, mas
nunca passou pela minha cabeça que ele poderia levar o Lucas sozinho a uma
consulta de rotina, por exemplo! Recentemente, quando o Lucas passou pela cirurgia
de retirada das amígdalas e adenoides (já relatei sobre isso em um post
anterior) e teve que fazer alguns exames, passar por alguns especialistas, conversando
com uma conhecida eu percebi que ele poderia fazer isso sim, que eu não teria
que obrigatoriamente estar presente, e que ele tinha essa capacidade.
É difícil para uma mãe reconhecer que ela mesma está
excluindo o pai de participar ativamente nos cuidados e criação dos filhos, por
excesso de zelo, por achar que nossa vontade é sempre a melhor opção, por ter a
iniciativa em tudo. Isso afasta o pai do filho, e o filho do pai. Ambos não têm
o vinculo que se forma com o dia a dia, com o cuidar. Não estou falando que não
exista amor, claro que existe! Mas estou falando dessa conexão que se forma
pelo trato, pelo cuidado, pela criação. É claro, o fato de não morarmos juntos
como uma família funcional influência muito nessa proximidade, pais que vivem
com seus filhos, que participam do dia a dia formam essa conexão com mais
facilidade, por que já estão ali, mas e os que não vivem na mesma casa, que
participam bem menos da rotina da criança, como introduzir esse pai nesse
universo, o colocando na sua posição de pai?!
É isso que venho aprendendo diariamente, me forçando a
incluir, a delegar, a envolver ele nesse universo, para que esse vinculo fique
mais forte, para que eu por outro lado tenha confiança, tranquilidade, tenha um
parceiro na criação e não apenas um espectador (por outro lado também, cabe ao pai ter e demonstrar esse interesse, essa vontade de fazer parte disso tudo, por mais que seja nosso desejo não podemos obrigar uma pessoa a viver algo que não seja a vontade dela). Não é fácil, era mais fácil
quando eu ignorava isso que eu fazia e estava tudo certo! Mas não, eu não estava
certa em fazer do meu filho meu patrimônio, um bem apenas de minha
responsabilidade. Na verdade, ele é um cidadão do mundo, e quanto mais ele
cresce mais isso fica claro e patente e nessa jornada, ter no pai um parceiro,
alguém em quem confiar, dividir é fundamental para o bem de todos. Independente
da relação de casal, o homem e mulher se um dia acabar, acabou! Mas a de pais
será para sempre e é essa relação de parceria, de cumplicidade é o que deve
permanecer.
O texto de hoje foi isso, espero ter contribuído com vocês! Beijos e até a próxima!
“Um casal, unido, contribuindo com as
especificidades próprias de seus sexos, para a formação dos filhos, vai ao infinito.”












