sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Mãe de Prematuro - Papo de mãe!

Olá queridas e queridos leitores, tudo bem?!
Dei uma sumida mas já voltei! Não gosto de escrever só por escrever, gosto de postar aqui no blog conteúdos que realmente julgo relevante para vocês e escrevo quando algum fato acontece ou a inspiração vem.

Hoje gostaria de falar para as mamães de bebês prematuros e dizer que eu passei por isso e que entendo vocês.
Meu filho nasceu com 34 semanas (8 meses e meio) devido a um aumento da  minha pressão arterial. Eu não estava preparada para isso, apesar da minha pressão vir aumentando durante a gravidez eu realmente acreditava e esperava que ele fosse nascer na época certa, que é entre 39 á 42 semanas. Fui pra maternidade com a pressão alta (17.11) porém bem, sem sintomas, me sentindo ótima e após uma cesariana meu filhote estava ali bem na minha frente, tão pequeno, tão frágil. Pesando 2.200kg e devido a uma insuficiência respiratória ele não foi comigo para o quarto mas para a UTI, quando fui informada disso, meu mundo caiu.
Os primeiros três dias naquele hospital foram os piores dias da minha vida, debilitada devido as dores, com meu filho na UTI, eu estava em uma enfermaria com outras mães e todas estavam com seus bebês, e o meu não estava lá, ao meu lado. Nesses primeiros dias poucas as vezes fui vê-lo, tudo estava confuso, era mistura de dor física com emocional, frustração, medo, culpa. Me lembro que eu só chorava, tentava ser forte e me mostrar confiante para as pessoas que vinham me visitar, mas quando eu me deitava, cobria minha cabeça e chorava, muito. O Lucas, seguia na UTI sendo muito bem cuidado, sendo medicado e foi reagindo aos remédios e fortalecendo seus pulmões, no terceiro dia começou a se alimentar e eu comecei a tirar o leite com dificuldade para envia-lo na UTI. Fui carregar meu filho no colo no seu quarto dia de vida, mesmo assim, cheio de fios e com muito cuidado. Minha mãe, que ficou comigo nos primeiros 7 dias de internação, sofreu comigo nesses primeiros dias, via meu desespero, meu medo, e sofrendo também tentava ser forte pra me consolar e me dar forças. No quarto dia, depois que carreguei meu filho, comecei a me fortalecer, e comecei a ir até a UTI varias vezes ao dia pra vê-lo, conversar com outras mães, conhecer historias e assim, fui vendo que o que eu estava vivendo era tão pequeno perto do que outras famílias estavam passando, com seus filhos internados a 3 meses, crianças que nasceram com 500 gramas, prematuras demais. Vi uma mãe carregando seu bebê que já estava lá a quase 1 mês, e era tão pequeno, que cabia na palma da mão. Comecei a ser grata pela saúde do meu filho, que estava bem, se fortalecendo e engordando (cada grama que ele ganhava eu comemorava como se fosse a melhor coisa do mundo!).
No total ficamos internados por 10 dias. Eu fui liberada com 7 dias, minha pressão não abaixava de jeito nenhum, por isso permaneci internada também. E ele por 10 dias, até estar respirando bem sem ajuda de aparelhos e com o peso adequado para receber alta. Nesses últimos 3 dias fiquei com ele em uma ala onde as mães podem ficar com os filhos que estão quase recebendo alta da UTI. Com 8 dias de vida eu dei o primeiro banho nele (ele já havia tomado outros mas sempre dado pelas enfermeiras!), troquei pela primeira vez as fraldas dele e tudo que eu queria era sair com ele daquele lugar e não precisar voltar nunca mais. A dor que eu senti, o sofrimento que passei, nunca vou esquecer, e me lembrando de tudo isso ainda fico emocionada, já se passaram 3 anos, meu filho se desenvolveu super bem, após sairmos do hospital não tive problemas com ele de adoecer por um bom tempo, ele era forte e saudável. E eu agradecia muito a Deus por isso (e ainda agradeço!). Pode parecer egoísmo da minha parte mas, naquela situação em que eu estava no chão, destruída, ver pessoas em situações infinitamente piores que a minha minha me fortaleceu, me confortou, e me fez grata a Deus pelo meu filho não ter tido maiores complicações. O sofrimento que se vê em uma UTI neo natal é dilacerador, mães e enfermeiras vibrávamos pela melhora ou notícia positiva sobre o filho umas das outras, eramos mães, mulheres tentando não desmoronar naquele caos, nos ajudando, nos confortando.

Talvez por ter passado por tudo que eu passei, hoje dou muito valor e sou muito grata pela saúde e vida do meu filho, sou mãe protetora sim (mas tento me controlar pra não ser demais também! rsrs), sou chata e sempre faço o melhor que posso pra ele, por que só eu sei o que sofri aqueles dias no hospital e que nunca vou me esquecer.

Mamães de bebês prematuros, sei como se sentem ou se sentiram. Se tenho um concelho para dar pra quem está passando por isso é procure ajuda psicológica, eu não fiz isso, e creio que deveria ter feito, se tivesse tido um acompanhamento psicológico teria passado por esse trauma de uma forma melhor.

Mamães de bebês que nasceram na época normal, deem muito valor a saúde de seus filhos e agradeçam por não terem passado pelo que eu passei, nenhuma dor de parto, nenhum desconforto, nada se compara com o fato de seu filho nascer e não poder estar com você, ser internado em uma UTI e você não ter a mínima ideia de como será o futuro dele ali.

Hoje, meu post é mais um relato da minha experiência do nascimento do meu filho, espero ter contribuído de alguma forma. Até a próxima. Beijos!



Nenhum comentário:

Postar um comentário